O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo, com mais de 2,25 bilhões de xícaras sendo apreciadas a cada dia. Por séculos, essa bebida tem sido parte importante da rotina de milhões de pessoas, tanto pela energia que oferece quanto pelos benefícios à saúde. No entanto, um recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, trouxe à tona uma nova perspectiva sobre como a preparação do café pode influenciar diretamente os níveis de colesterol. O estudo revela que o método de preparo pode elevar a concentração de compostos naturais, chamados diterpenos, que têm o potencial de aumentar o colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”. Esse achado levanta questões sobre os efeitos do café na saúde cardiovascular e destaca a importância de escolher o método certo de preparo.
O café é rico em substâncias que podem influenciar o organismo de diversas maneiras, mas, ao mesmo tempo, é uma bebida que pode ter efeitos adversos dependendo de como é preparado. A pesquisa de Uppsala concentrou-se especialmente nos diterpenos cafestol e kahweol, compostos presentes no café que têm a capacidade de elevar os níveis de colesterol. Esses compostos estão mais presentes em cafés preparados por métodos que não utilizam filtragem eficiente, como nas máquinas de café tradicionais. O estudo sugere que o aumento desses compostos pode ser um fator relevante para quem se preocupa com a saúde do coração e os níveis de colesterol.
O impacto do preparo do café na saúde cardiovascular está diretamente relacionado ao processo de extração. As máquinas de café, que são amplamente utilizadas para o preparo da bebida de maneira rápida e prática, têm um efeito significativo sobre a concentração de diterpenos. Os pesquisadores observaram que o café preparado em máquinas de café apresentou concentrações de diterpenos mais altas em comparação com o café coado em filtros de papel. Esse detalhe, embora pareça simples, pode ser crucial para quem consome café regularmente e busca manter um estilo de vida saudável. Em contraste, o café filtrado de forma tradicional parece ser uma opção mais saudável, pois retira substancialmente essas substâncias prejudiciais.
Além das máquinas de café, o estudo também incluiu análises de cafés preparados de maneira mais tradicional, como em cafeteiras comuns e cafés expressos. Os pesquisadores descobriram que o café preparado de forma convencional, usando cafeteiras e filtros, apresentava menores níveis de diterpenos, tornando-o uma alternativa mais segura para aqueles que buscam evitar os riscos à saúde cardiovascular. Por outro lado, o café expresso, embora tenha menos diterpenos do que o café preparado nas máquinas, ainda apresentou níveis superiores aos encontrados no café filtrado em papel, o que indica que a forma como o café é extraído e filtrado pode ter um grande impacto sobre sua composição.
A cromatografia líquida-espectrometria de massa em tandem foi a técnica utilizada pelos pesquisadores para medir com precisão os níveis de cafestol e kahweol nos diferentes tipos de café. Essa tecnologia avançada permitiu uma análise detalhada e comparativa das amostras coletadas. Os resultados mostraram que a filtragem do café fervido resultou na redução significativa dos níveis desses compostos, o que não ocorre quando o café é preparado nas máquinas de café tradicionais, que retêm mais dos diterpenos na bebida. Esse é um ponto importante para quem busca uma forma de preparar o café que minimize os impactos negativos à saúde, especialmente no que diz respeito ao colesterol.
As descobertas do estudo têm implicações diretas para aqueles que consomem café regularmente, especialmente para os que já possuem predisposição a problemas cardíacos ou altos níveis de colesterol. A recomendação dos pesquisadores é clara: escolher métodos de preparo que filtram o café de forma mais eficaz pode ser um passo simples, mas significativo, para reduzir os riscos à saúde. O café filtrado em papel, por exemplo, tem sido considerado uma opção mais saudável, pois retira a maior parte dos diterpenos responsáveis pelo aumento do colesterol LDL.
Embora os benefícios do café, como o aumento da energia e a melhora da concentração, sejam bem documentados, esse estudo nos alerta para os efeitos negativos que o preparo inadequado pode causar. A conscientização sobre os métodos de preparação pode ser um fator importante na escolha do tipo de café que consumimos diariamente. Além disso, outras opções de preparo, como o uso de filtros de metal ou métodos de prensa francesa, podem ter efeitos variados sobre os níveis de diterpenos, sendo importantes de serem analisados para escolhas mais informadas e benéficas à saúde.
Em resumo, o estudo realizado na Suécia destaca como o simples ato de preparar o café pode fazer uma grande diferença na saúde, principalmente para quem se preocupa com o colesterol e os problemas cardiovasculares. A recomendação é que se busque formas de preparação que minimizem a concentração de diterpenos, como o café filtrado em papel. A forma como preparamos o café pode ser tão importante quanto a quantidade consumida, e entender essa relação pode ser crucial para manter uma saúde equilibrada e livre de complicações relacionadas ao colesterol.
Autor: Quilina Wyor