O Dr. Vinicius Rodrigues lembra que estimativas apontam a presença de tecido mamário acessório em cerca de 2% a 6% das mulheres, a maioria delas na região da axila. Apesar de relativamente comum, a condição costuma ser confundida com gordura localizada, íngua ou nódulo, e gera dúvidas quando aumenta de volume ou provoca desconforto. Algumas ideias sobre o tema precisam ser esclarecidas.
Não é apenas gordura na axila
A mama acessória é um tecido mamário que se desenvolve fora da posição habitual. Durante a formação do embrião, surge uma linha que vai da axila até a virilha, chamada de linha mamária. Normalmente, apenas uma parte dela dá origem às mamas, mas restos desse tecido podem permanecer em outros pontos, sobretudo na axila.
Muitas mulheres interpretam o volume como acúmulo de gordura e tentam reduzi-lo com dietas ou exercícios. Por ser tecido glandular, porém, a mama acessória não desaparece com perda de peso, embora possa parecer maior em mulheres com sobrepeso. Em geral, aparece nos dois lados, mas pode ser mais evidente em apenas uma axila, e muitas mulheres só a percebem na adolescência ou na primeira gestação.
Pode mudar de tamanho com os hormônios
Uma ideia equivocada é a de que o tecido extra permanece sempre igual. Como responde aos mesmos hormônios da mama, a mama acessória pode inchar e ficar dolorida antes da menstruação, aumentar durante a gestação e até produzir leite na amamentação.
O aumento repentino nesses períodos costuma assustar, mas faz parte do funcionamento normal do tecido. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a relação com o ciclo hormonal é uma das pistas que ajudam a diferenciar a mama acessória de outras alterações da axila, como linfonodos aumentados.
Mamilo extra também é possível
Algumas pessoas apresentam um mamilo adicional, chamado de mamilo supranumerário, com ou sem tecido glandular por baixo. Ele aparece ao longo da linha mamária, muitas vezes logo abaixo da mama, e pode ser confundido com uma pinta ou verruga.
A condição também ocorre em homens. Na maioria dos casos, não causa sintomas nem exige tratamento, mas deve ser examinada se mudar de aspecto, crescer ou apresentar secreção. Informar o achado ao médico durante as consultas de rotina ajuda a registrar a condição e a acompanhar eventuais mudanças.
O tecido extra também pode adoecer
Outra crença comum é a de que a mama acessória está livre das doenças da mama. Na verdade, o tecido pode desenvolver as mesmas alterações, como cistos, fibroadenomas, inflamações e, mais raramente, câncer. Como a região é pouco examinada no dia a dia, alterações nesse tecido podem demorar a ser percebidas.
Por isso, um nódulo novo, endurecido ou persistente na região da axila precisa ser investigado como qualquer outra alteração mamária. Na avaliação de Vinicius Rodrigues, a ultrassonografia é o exame inicial mais útil para avaliar a área, e a mamografia pode incluir a região quando o tecido se estende em direção à mama principal.
Quando é indicado tratar
Na ausência de sintomas, a mama acessória não precisa de nenhum tratamento específico. A cirurgia pode ser indicada quando o tecido causa dor recorrente, desconforto com roupas ou nos movimentos do braço, incômodo estético significativo ou quando há alguma lesão que precise ser retirada.
O procedimento costuma ser simples, feito por pequena incisão na axila, com recuperação rápida. Antes da decisão, porém, é importante confirmar o diagnóstico com exames de imagem. Conforme explica Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, conhecer a própria anatomia ajuda a mulher a reconhecer o que é normal no seu corpo e a procurar avaliação diante de qualquer mudança, inclusive em regiões que muitas vezes ficam fora da atenção durante o cuidado com as mamas.

